terça-feira, 26 de janeiro de 2016

As crianças e os legumes

É tão bom quando as nossas crianças comem "de tudo", não são esquisitas e melhor ainda, adoram legumes, leguminosas, frutos e outros alimentos saudáveis. Mas nem sempre é assim... muitos pais passam pelo drama de não conseguirem introduzir novos alimentos, novos sabores e de as crianças rejeitarem qualquer legume, levando a grande ginástica na cozinha para os "enganar" e disfarçar ao máximo os legumes.
Cá por casa não me posso queixar muito, mas é verdade, tenho de "esconder" a cebola, o tomate, o alho e a cenoura nos cozinhados.

Vamos ao início... durante a gravidez a futura mamã deve variar o mais possível a sua alimentação, durante a amamentação também deve expôr o bébé a novos sabores de legumes e frutos, ingerindo-os de forma muito variada, uma vez que através do aleitamento o bébé terá contato com esses sabores e não os estranhará quando experimentar de forma mais direta.

Em 2015, um estudo publicado no British Journal of Nutrition, concluiu que dar legumes e produtos hortícolas nos primeiros 15 dias após o início da diversificação alimentar é fundamental para que a criança goste desses alimentos no futuro. Segundo os seus autores, "crianças mais velhas (ou adultos) podem precisar de experimentar 14 vezes ou mais até começarem a gostar de um alimento, mas bébés e crianças pequenas estão mais predispostas a aceitar novos sabores".

Por isso, nada está perdido... se temos crianças pequenas, será mais rápida a aceitação de novos sabores, desde que não os mascarem, não obriguem  e tornem a refeição o mais apelativa possível.
Se as crianças já são crescidas, temos de ser perseverantes, explicar a importância da ingestão de determinados alimentos, dar o exemplo (não há nada pior do que dizer a uma criança para comer algo e depois o adulto não comer, porque "não gosta"), insistir sem obrigar, negociar um pouco (nunca no sentido de: se comeres brócolos ou dou-te um doce; mas sim: hoje só te vou dar 1 raminho pequeno de brócolos, na próxima vez tentamos 2,...).

E porque não meter as mãos na terra. Se tiverem espaço, muito ou pouco, cultivem alguns legumes, com a ajuda das vossas crianças, deixem-nas participar na preparação de algumas refeições, vai tornar todo este processo mais fácil e agradável. Eu não tenho horta, mas tenho sempre 2 ajudantes desejosos de pôr as mãos na massa. A M. e o K. têm uma horta na escola, onde cultivam, tratam e às vezes vão lá buscar os legumes para o almoço. Seria tão bom que todas as escolas pudessem ter o mesmo projeto, porque torna as crianças maissensibilizadas e mais predispostas à experimentação.

Lancei um desafio à M. e ao K.: expliquei a importância da ingestão de legumes e de os variar, de que são uma fonte rica em vitaminas, minerais e fibras, que ajudam o nosso organismo a funcionar melhor e que aumentam a capacidade de nos protegermos contra algumas doenças e por fim, como já são crescidos, que é mais difícil gostar de novos sabores, em particular, de legumes, mas que precisam de tentar várias vezes para se habituarem,..., então vamos criar um quadro de experimentação! Colocamos vários legumes e vamos experimentá-los 15 vezes, sem ser em grandes quantidades, nem em dias seguidos e se no final das 15 vezes eles continuarem a dizer que não gostam, não vamos insistir (vou torcer para que tolerem todos os sabores e sendo em versão desafio com direito a registo que estejam empenhados no desafio).
Porque não fazerem o mesmo aí em casa?

Assim que começar farei um diário e irá partilhar com todos.

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